Rondônia, 17 de Fevereiro de 2026
Boulos pede que PGR investigue emendas da Meta que afrouxam proteção infantil

Boulos pede que PGR investigue emendas da Meta que afrouxam proteção infantil

 Parlamentar acusa Fernando Máximo (União-RO) aponta interferência direta da empresa de Mark Zuckerberg no PL 2628


O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) protocolou, na sexta-feira (15), uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República contra o deputado Fernando Máximo (União Brasil-RO), acusando-o do crime de advocacia administrativa, previsto no artigo 321 do Código Penal.

O caso tem como base uma investigação jornalística do The Intercept, que apontou que duas emendas apresentadas por Máximo ao Projeto de Lei 2628/2022, que estabelece medidas para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital, teriam sido redigidas diretamente por Marconi Borges Machado, executivo da Meta e gerente de políticas públicas da empresa desde 2017.

O PL 2628, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), propõe um conjunto de regras para plataformas digitais, incluindo a mitigação de exploração sexual e bullying, restrições de tempo de uso para menores, mecanismos de controle parental, limites à coleta de dados pessoais e penalidades para violações.

O deputado federal Fernando Máximo (União Brasil-RO) apresentou emendas que teria sido redigidas por executivo da Meta (Foto: Câmara dos Deputados)


As emendas atribuídas a Machado, identificadas nos metadados como EMC 18/2025 e EMC 19/2025, alteram pontos centrais da proposta: uma elimina a obrigação de as plataformas divulgarem relatórios de moderação de conteúdo, alegando que “nem toda moderação se dá em razão de conduta que possa ter causado dano a menores”; a outra retira a possibilidade de aplicação de multas e sanções criminais às empresas.

Boulos: ‘Poder econômico das big techs corrompe o sistema político’

A representação de Boulos enfatiza que “ambas foram elaboradas para atender diretamente aos interesses da Meta, big tech controladora do Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger”. O documento reforça que Fernando Máximo “não possui atuação expressiva na área de tecnologia, dedicando-se em suas redes a pautas ligadas a pessoas com deficiência e apoio a Israel e a Bolsonaro, o que evidencia o caráter externo e direcionado de sua atuação no PL 2628”.

No texto, o parlamentar do PSOL sustenta que a conduta configura patrocínio de interesse privado perante a administração pública, em ofensa aos princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade. Ele cita jurisprudências recentes do Supremo Tribunal Federal que afastam a aplicação da imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constituição quando o ato não guarda relação com o exercício do mandato ou se trata de crime comum.

Um dos trechos destacados da representação aponta: “A atuação de um parlamentar que, utilizando sua influência, busca vantagens para terceiros em órgãos públicos ou projetos de lei […] configura crime de advocacia administrativa, passível de responsabilização independente da imunidade parlamentar”. Em outro ponto, o documento lembra que “a imunidade material não pode ser utilizada como escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas”, reforçando que há indícios de autoria e materialidade suficientes para abrir investigação.

Boulos também adota tom político na acusação: “Esse é um exemplo simbólico de como o poder econômico das big techs corrompe o sistema político. Em meio à discussão importantíssima sobre adultização nas redes, precisamos fazer valer as necessidades da sociedade brasileira, e não de meia dúzia de bilionários norte-americanos”.

O pedido feito à PGR solicita a instauração de inquérito policial, a apuração detalhada dos fatos e, ao final, o oferecimento de denúncia criminal contra Fernando Máximo, caso as suspeitas sejam confirmadas. A representação foi assinada por Boulos e por seu advogado, Ramon Arnús Koelle.

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