Rondônia, 17 de Fevereiro de 2026
Governo propõe fim da obrigatoriedade de aulas em Autoescolas para obter CNH

Governo propõe fim da obrigatoriedade de aulas em Autoescolas para obter CNH

 Ministro Renan Filho defende medida para reduzir custos e combater informalidade, visando habilitar 80 milhões de brasileiros.


O ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou nesta terça-feira, 29 de julho de 2025, a intenção do governo de eliminar a exigência de aulas em autoescolas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Em entrevista à GloboNews, o ministro argumentou que o alto custo atual da CNH, que varia entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, é um impeditivo para milhões de brasileiros, levando à informalidade e ao aumento de riscos no trânsito.

O Custo da CNH e a Informalidade

Renan Filho destacou que o elevado custo para tirar a CNH tem levado cerca de 20 milhões de brasileiros a dirigir sem habilitação e impede que outros 60 milhões com idade para dirigir obtenham o documento. “Quando o custo de um documento é impeditivo, o que que acontece? A informalização. As pessoas dirigem sem carteira. E esse é o pior dos mundos porque o nível da qualificação. (…) Isso aumenta o risco para ela, aumenta o risco de acidentes”, afirmou o ministro.

Ele citou uma pesquisa que aponta o custo como o principal motivo para a falta de habilitação entre os brasileiros. A proposta do governo é reduzir ao máximo esse custo, permitindo que mais pessoas se qualifiquem e obtenham o documento de forma legal.

Risco de Acidentes e Qualificação

Ao ser questionado sobre o possível aumento no risco de acidentes com a flexibilização, o ministro assegurou que os cursos continuarão disponíveis, ministrados por instrutores qualificados e sob supervisão da Senatran e dos Detrans. “O grande problema é que as pessoas já dirigem sem carteira”, disse Renan Filho, citando que 40% das pessoas que compram moto não possuem habilitação. “Se as pessoas dirigem sem curso algum, a gente está propondo garantir cursos para que as pessoas melhorem, tenham mais qualificação na hora de dirigir.”

O ministro também ressaltou as desigualdades sociais no acesso à CNH, observando que, em muitas famílias, se o dinheiro é limitado, a habilitação do homem é priorizada, deixando as mulheres inabilitadas.

Combate às “Máfias das Autoescolas”

Renan Filho criticou o modelo atual, que, segundo ele, favorece a atuação de “máfias” em autoescolas e exames. “É tão caro que não basta a pessoa pagar uma vez o preço alto. Quem pode pagar, muitas vezes, é levado a ser reprovado para ter que pagar de novo”, afirmou. Ele acredita que a desburocratização e o barateamento do processo tirarão o incentivo econômico para a criação dessas máfias.

Anualmente, o Brasil emite entre 3 e 4 milhões de CNHs, o que representa um gasto anual entre R$ 9 bilhões e R$ 16 bilhões para a população com os preços atuais. O ministro defende que, ao baratear o processo, esse dinheiro seria direcionado a outros setores da economia, gerando empregos e dinamizando a economia brasileira.

Implementação Via Regulamentação

Sobre a forma de implementação, Renan Filho afirmou que a proposta não exigirá aprovação legislativa do Congresso Nacional. A medida pode ser colocada em prática por meio de regulamentação governamental, sem a necessidade de profundas alterações nas leis existentes. “Construímos um projeto que pode funcionar a partir daquilo que o próprio governo pode fazer. Não vamos mexer em leis profundamente”, explicou, classificando a proposta como uma “mudança regulatória”.

O ministro acredita que a medida também incentivará a formação de trabalhadores, facilitando o acesso antecipado a vagas que exigem carteiras de habilitação profissional, como para condutores de ônibus, caminhões e vans.

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