Rondônia, 17 de Fevereiro de 2026
Presidente da Petrobras defende reajuste no preço da gasolina diante de comissão do Senado liderada por Confúcio

Presidente da Petrobras defende reajuste no preço da gasolina diante de comissão do Senado liderada por Confúcio

A reunião foi convocada em resposta a pedidos dos senadores Confúcio Moura (MDB-RO), Lucas Barreto (PSD-AP), Laércio Oliveira (PP-SE) e Zequinha Marinho (Podemos-PA)



 

Jean Paul Prates, o presidente da Petrobras, apresentou e explicou o novo modelo de precificação de combustíveis implementado pela nova gestão da empresa durante uma audiência pública conjunta das Comissões de Infraestrutura (CI) e Desenvolvimento Regional (CDR) na quarta-feira, 16 de agosto. Esse modelo leva em consideração os gastos da empresa na moeda nacional e tem como objetivo tornar a precificação dos combustíveis mais equitativa para os consumidores. Prates defendeu o aumento recente no preço da gasolina, afirmando que a nova política de preços tem se mostrado eficaz.

A reunião foi convocada em resposta a pedidos dos senadores Confúcio Moura (MDB-RO), Lucas Barreto (PSD-AP), Laércio Oliveira (PP-SE) e Zequinha Marinho (Podemos-PA) para que o presidente da Petrobras explicasse as mudanças no cálculo dos preços dos combustíveis. A empresa vinha utilizando o Preço de Paridade de Importação (PPI) desde 2017, que se baseava em valores denominados em dólares de empresas exportadoras de combustíveis para o Brasil.

De acordo com Prates, os preços atuais dos combustíveis são determinados por um cálculo complexo que leva em consideração diversos fatores, incluindo a localização da produção, o destino e outras variáveis, incluindo o PPI. Ele argumentou que essa abordagem garante um preço mais justo para o consumidor final.

Prates explicou: "Esse modelo envolve 40 mil equações diferentes, utilizando programação linear. Onde quer que o cliente esteja localizado, podemos simular o melhor modo de transporte, o melhor petróleo para refinar na refinaria mais próxima... A Petrobras desenvolveu esse modelo ao longo de décadas, e ele deve ser usado."

Os senadores presentes na audiência, liderados por Confúcio Moura, questionaram a relação entre a adoção do PPI e as crises gerenciais enfrentadas pela Petrobras em 2017. Prates respondeu afirmando que o PPI foi adotado por razões ideológicas e não era compatível com a auto-suficiência do Brasil em petróleo. Ele enfatizou que a Petrobras tinha inúmeras despesas na moeda local e vantagens econômicas, como produção interna, frota própria de navios e domínio de mercado, tornando a dependência apenas de preços internacionais ilógica.

Na visão de Prates, "O PPI é o maior erro que um país pode cometer quando não é um importador. Por que adotaria o preço da refinaria da Alemanha, do Texas, (...) mais frete, mais despesas incorridas na porta das refinarias brasileiras? Isso é como adotar o preço do concorrente menos eficiente que você tem. Em 2017, houve 118 ajustes de preço na cabeça do povo brasileiro, quem pode viver com isso? Isso não tem a ver com ideologia, é pura lógica: não deu certo."

Prates também destacou o recente aumento no preço da gasolina, indicando o compromisso da gestão com o método de precificação. O preço da gasolina Tipo A, produzida pelas refinarias de petróleo e entregue diretamente às distribuidoras, deve aumentar cerca de 16%, com um litro sendo vendido às distribuidoras por R$ 2,93, conforme relatado pela Agência Brasil.

Prates observou: "Qual foi o teste proposto? 'Vamos ver o que acontece quando o preço internacional aumentar, a Petrobras vai ajustar?' Nós ajustamos. Portanto, a política passou no teste, e faremos ajustes quando necessário."

Os senadores também levantaram preocupações sobre a exploração de petróleo offshore no Amapá. Prates explicou que o atraso se deve à priorização de regiões de produção mais eficientes, como a Bacia de Santos, e aos processos naturalmente demorados de licenciamento ambiental e produção de petróleo.

Em relação à transição para fontes de energia sustentáveis, o senador Marcelo Castro (MDB-PI) destacou a crescente importância do hidrogênio verde e seu potencial de investimento no Brasil. Prates compartilhou que espera que a relevância do petróleo diminua nas próximas cinco décadas e discutiu a capacidade da Petrobras de desenvolver sistemas de energia eólica offshore.

Em conclusão, a audiência contou com a participação ativa de vários senadores, com discussões que abordaram desde políticas de preços de combustíveis até estratégias de transição energética e preocupações ambientais.


Postar um comentário

0 Comentários

Banner 970x250